Ao mudar-se para Cláudia, uma pequena cidade do interior do Mato Grosso, Daniela Cerasoli encontrou sua profissão. As cores e histórias desse pequeno município, com nome de mulher, eram tão surpreendentes que ela sentiu a necessidade de registrá-las. E descobriu a fotografia. Antes disso, começou sua carreira como consultora da maior empresa de distribuição de filmes cinematográficos do país.
“Meu trabalho era ensinar centenas de funcionários a indicar bons filmes aos clientes. Com isso, assistia dezenas deles por semana. E me apaixonei pelo cinema, especialmente o europeu”. E assim ela acabou levada ao mercado de produção audiovisual. Foi então que a arte contaminou Daniela definitivamente, que decidiu estudar e formou-se produtora.
O interesse por perpetuar momentos através da luz se solidificou. Novamente, enveredou nas pesquisas para saber, na teoria e na prática, como fotografar bem. E este portfolio prova que ela conseguiu. Seu empenho resultou em um álbum gerado sob um olhar que vai além do criativo: explora o ineditismo de imagens que, até seu clique, pareciam óbvias.
Inspiração européia
Daniela teve como inspiração o cineasta francês Jean Pierre Jeunet. “Não me esqueço das imagens de seus filmes. Ele inova conceitos, abusa das luzes, das cores e sabe usar a tecnologia a seu favor. São contrastes extasiantes”. Como ferramenta de trabalho, além da câmera, a fotógrafa e produtora usa a resistência. “Não me satisfaço com imagens opacas ou pouco saturadas. Busco, até o fim, a plenitude da imagem”. Ela evoluiu na arte após conhecer Evgen Bavcar, um fotógrafo esloveno que ficou cego aos 12 anos. “Compreendi que para fotografar é preciso usar a alma para enxergar, não só os olhos e as lentes”.
A carreira de Daniela é recente, porém, prematura, pois sua gana faz com que seus retratos nada devam aos dos tarimbados filhos das quase extintas câmeras analógicas. Ela ainda se diz uma estudante, e não pretende abandonar esse título jamais. “Vou estudar por toda a vida”. Como primeira lição, registrou os extremos do Brasil, das pequenas cidades aos grandes centros. Seus companheiros mais fiéis foram os fones de ouvido. “Fotografo ouvindo música. É como se ela provocasse cada músculo do meu corpo e aguçasse meus sentidos”. A seguir, invada os sentimentos captados pelas lentes, pelos olhos e pela alma de Daniela Cerasoli.